Cenário positivo para açúcar em NY não muda, apesar de queda no dia, vê analista da Datagro

Publicado em 22/04/2021 18:38 595 exibições
Bruno Freitas - Economista Sênior da Datagro
Mercado ainda acompanha cenário fragilizado da demanda com continuidade dos isolamentos em decorrência do coronavírus em países consumidores

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Entrevista com Bruno Freitas - Economista Sênior da Datagro sobre o Mercado do Açúcar e Etanol

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​As preocupações relacionadas com a situação climática no Centro-Sul do Brasil devem se manter como o principal cenário positivo aos preços do açúcar na Bolsa de Nova York, apesar de um fechamento mais técnico e com leve queda nos primeiros vencimentos na sessão desta quinta-feira (22). Em contrapartida, um cenário de demanda ainda muito incerto com a pandemia do coronavírus segue sendo acompanhado pelo mercado.

"Viemos de uma construção desses preços desde a semana passada muito atrelada às preocupações sobre a falta de chuvas na região Centro-Sul. Há também, em menor proporção, preocupação sobre o tamanho da produção de açúcar na Europa. Digamos que o foco nesse momento é se o Centro-Sul vai produzir menos açúcar ou não que o esperado", disse ao Notícias Agrícolas Bruno Freitas, economista sênior da Datagro.

Diante das preocupações climáticas, o açúcar já acumula valorização de quase 100 pontos em uma semana no terminal externo. “Claro que o mercado está suscetível a eventuais correções na medida em que os fundos possam eventualmente embolsar seus lucros, mas de toda forma estamos em meio um mercado bem mais construtivo do que se imaginava duas semanas atrás”, pontua Freitas.

A Datagro estima a safra 2021/22 no Centro-Sul do Brasil em 578 milhões de toneladas de cana-de-açúcar , quase 30 milhões de t a menos de uma temporada para a outra. A produção de açúcar deve cair para algo entre 36,6 e 36,7 milhões de t, sobre um recorde anterior de 38,5 milhões de t. Além das expectativas de uma safra menor na principal região produtora do Brasil, o mercado também segue de olho na demanda.

“Temos um mundo que ainda está lutando bastante para se livrar dessa pandemia. Então é um cenário ainda de muita incerteza. Temos ainda grandes regiões de economias adotando medidas de restrição e a gente vê isso como o principal fator que ainda tem impactado o consumo de açúcar”, pontua Freitas. “O ano de 2021 ainda parece um ano em que o consumo de açúcar ainda não voltará às suas taxas de crescimento pré-pandemia”, complementa.

Já no caso do etanol no Brasil, o ano de 2021 tem sido até mais favorável em relação ao consumo do que o anterior. “Levando em consideração uma safra cuja oferta de etanol deve estar restrita tanto ao maior mix para a produção de açúcar como maior moagem de cana, a gente vê um cenário produtivo para os preços do etanol nesse ano”, diz o analista.

No mercado interno, os preços do etanol e do açúcar seguem valorizados, apesar do início da moagem da nova safra. Freitas explica que esse cenário ocorre na medida em que os trabalhos avançam de forma lenta. “As usinas estão esperando para que a cana possa ao menos recuperar parcialmente os atrasos no desenvolvimento fisiológico da planta e isso responde pelo atraso da safra e preços do etanol mais firmes nesse início de safra 2021/22 no Centro-Sul”, explica.

Por:
Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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