Redução de área plantada muda cenário de oferta para soja americana e preços podem buscar novos níveis no mercado internacional

Publicado em 31/03/2021 19:17 e atualizado em 31/03/2021 19:55 4818 exibições
Marcos Araújo - Analista da Agrinvest
Com área reduzida pelo relatório de hoje (31) produção americana tem potencial de atingir 120 milhões de toneladas, volume que, se não houver racionamento através de altas nos preços, pode levar estoques americanos a níveis inéditos de 600 mil toneladas no final da temporada 2021/22

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Entrevista com Marcos Araújo - Analista da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja

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Os futuros da soja fecharam no limite de alta - 70 pontos no pregão desta quarta-feira (31) na Bolsa de Chicago, refletindo o boletim de intenção de plantio divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o qual trouxe números abaixo das expectativas médias do mercado não só para a oleaginosa, mas também para o milho. E os preços do cereal também concluíram o dia no limite de alta. 

O contrato maio/21 terminou o dia valendo US$ 14,36 por bushel, enquanto o julho foi a US$ 14,27 e o setembro a US$ 13,02. 

A área de soja foi estimada em 35,45 milhões de hectares, 5% maior do que a da safra anterior. As projeções, porém, variavam entre 34,84 a 37,07 milhões de hectartes, com média de 36,42 milhões. Ou seja, crescimento bem menor do que o esperado pelo mercado. O USDA acredita ainda que a área semeada com a oleaginosa ficará inalterada em 23 dos 29 estados produtores. 

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Como explica o analista de mercado Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, confirmada esta área, a nova safra norte-americana seria de 120 milhões de toneladas, considerando uma produtividade de 56,9 sacas por hectare - a segunda maior da história - os estoques finais viriam a 650 mil toneladas. 

"Mas isso não deve acontecer, porque o mercado no curto prazo deve se comportar de forma a racionar a demanda, a exemplo do que já vem acontecendo com o milho em algumas regiões", diz Araújo. Afinal, estes estoques de 650 mil toneladas resultariam em uma relação estoque x uso de apenas 0,50%. "E essa conta no mercado americano ficaria muito pressionada", complementa o analista. 

E Araújo chama a atenção ainda ao processamento de soja interno nos EUA, que também deverá pisar no freio, sendo importante monitorar também  os números do NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas). "Há uma luz amarela no mercado", diz. 

Assim, a tendência de alta está definida e determinada para Chicago, já que os preços da soja teriam que subir também para incentivar mais área para a oleaginosa nos EUA, bem como para a próxima safra - 2021/22 na América do Sul. No entanto, ainda segundo Araújo, as condições favoráveis de clima nos EUA para o milho poderiam limitar o avanço da soja em algumas regiões importantes. 

MERCADO BRASILEIRO

No Brasil, os prêmios da soja despencaram nesta quarta-feira, compensando o limite de alta na Bolsa de Chicago. Para a posição abril, por exemplo, os preços ficaram negativos entre 30 e 35 centavos de dólar. Ainda assim, os ganhos obtidos com o avanço das cotações na CBOT seguem garantindo boa renda ao produtor brasileiro na safra 2021/22. 

Há referências para o ano que vem, no porto de Rio Grande, sobre rodas porto a R$ 158,00 por saca, ou chegando a R$ 158,60 em Paranaguá para março de 2022. 

"Tem cenários muito otimistas para a soja brasileiro (...) Nós acreditamos que ano bom para o produtor rural é quando tem lucro. Portanto, uma soja de R$ 150,00 a R$ 155,00 por saca, no noroeste gaúcho, confere uma excelente rentabilidade. E os produtores deveriam olhar pra essa rentabilidade futura e se proteger na Bolsa de Chicago com um seguro de alta", explica o analista de mercado da Agrinvest Commodities. 

Por:
Aleksander Horta e Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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