Cafeicultor deve considerar média de preços da safra para comparar com custo de produção

Publicado em 20/03/2015 13:00 234 exibições
Cafeicultor deve considerar média de preços da safra para comparar custo de produção. Considerar cotação atual para confrontar com custos pode induzir ao erro, já que nem sempre é possível vender o café pelo melhor preço
Os preços do café no mercado interno estão em torno de R$ 500,00 para o café fino e o café de qualidade inferior a R$ 330,00 a saca. No entanto,  Otto Vilas Boas, assessor comercial de café explica que é preciso levar em consideração a média na qual o produtor comercializa seus produtos.
 
"Se 60% da produção o produtor conseguir vender a R$ 500,00, e os outros 40% a R$ 300,00 ele terá R$ 400,00 na média. E custo de produção hoje é acima de R$ 400,00 reais", considera Otto.
 
Essas variações acontecem porque a safra de café muitas vezes não garantem a mesma qualidade em todo a produtividade, por isso o café pode ser vendido a preços diferentes. Anos com irregularidades climatícas, por exemplo, prejudicam a qualidade do café.
 
Segundo Otto, para garantir melhor remuneração ao produtor o governo deveria tomar medidas de correção sob o preço minimo, que hoje é praticado a R$ 307,00 por saca, contudo "deveria ser R$ 380,00 a R$ 384,00", explica.
 
No entanto, a média do custo de produção para as regiões do sul de minas já alcançaram os R$ 400,00, dessa forma o produtor não consegue margens em cima do valor mínimo.
 
Para ele, a bebida fina pode ser comercializada até o final do ano a R$ 600,00 reais a saca, caso o dólar não se altere significativamente. Mesmo assim, esses valores não devem comprometer o mercado tendo em vista que a produção não é comercializada em sua totalidade nos melhores preços.
 
Nesse cenário é importante que os produtores invistam em tecnologias para aumentar os níveis de produtividade e qualidade.
 
No mercado internacional foram sinalizadas algumas reações nas últimas semana, e segundo Otto há potencial para novas altas, apesar de alguns analistas acreditam que o dólar alto pode ser um limitador dos preços, e o fim do inverno no hemisfério deve reduzir a demanda.
 
"O que acontece é que alguns países não estão estocados com café para atender a demanda, com isso a oferta pode ser menor que a necessidade do mercado e elevar os preços", ressalta.

 

Por:
Aleksander Horta // Larissa Albuquerque
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • amarildo josé sartóri vargem alta - ES

    Gente, como produtor de café, há muito tempo não vejo uma pessoa colocar para o conhecimento publico uma manifestação com tanta propriedade e conhecimento sobre o funcionamento da cafeicultura com o Sr. Otto Vilas Boas. Ao que ele comentou, agrego todas as dificuldades financeiras e mazelas que os cafeicultores arrastam nas costas ha muitos anos. Não podemos jamais esquecer aqueles companheiros de atividade que tiveram inclusive de se desfazer de sua propriedade para honrar seus compromissos bancários de financiamentos. Essa conta nunca fecha. Não quero de forma alguma questionar entrevistas e ponto de vista de alguns diretores à frente de grandes cooperativas restritas ao setor, que, com sorrisos no canto dos lábios, acham que tudo está se ajeitando, fazendo com que os operadores do mercado tenham uma falsa percepção da realidade. A verdade é que, de uma forma ou de outra, cada caso é um caso.... Se as condições atuais são favoráveis a um grupo de cafeicultores, para muitos, tudo isso chega tarde demais.

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