Paraná poderá produzir 42 milhões de toneladas de grãos

Publicado em 26/03/2021 17:04 269 exibições

A safra de grãos 2020/2021 do Paraná poderá somar 42 milhões de toneladas, volume 3% superior ao do ciclo passado. A área total, de 10,2 milhões de hectares, é 2% maior. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

O relatório mensal, divulgado nesta quinta-feira (25), inclui a primeira estimativa da safra de inverno, cuja produção deve ser de 4,5 milhões de toneladas em 1,4 milhão de hectares. Do total, 3,8 milhões de toneladas correspondem à cultura do trigo, volume 21% maior do que na safra passada.

Entre os dados divulgados neste mês, também destacam-se a evolução da colheita da soja (75%) e do milho da primeira safra (74%), culturas impactadas pela seca no início da safra e, posteriormente, pelo excesso de chuvas.

“Apesar das dificuldades devido aos fatores climáticos, os produtores de soja estão bem remunerados”, diz o chefe do Deral, Salatiel Turra. O atraso no início do plantio do milho chegou a preocupar os produtores quanto ao abastecimento, e também o setor de proteína animal, pois o grão é o principal insumo dessa cadeia. 

SOJA – A colheita de soja no Paraná avançou significativamente neste mês de março e atingiu 75% da área, mas ainda está atrasada comparativamente às safras anteriores, causando atraso no plantio do milho. A cultura sofreu impacto da estiagem no início do plantio e, mais tarde, das chuvas excessivas. No mesmo período do ano passado, o estado tinha 85% da área de soja colhida.

Com a reavaliação realizada pelos técnicos do Deral, estima-se a produção de 20,1 milhões de toneladas. No último mês, foram feitos ajustes principalmente nos números da região Oeste. A perspectiva, no início do ciclo, era de cerca de 20,6 milhões de toneladas. “De modo geral, esta safra ainda é considerada boa. O volume está dentro da média esperada para o Paraná, sendo 3% inferior ao produzido na safra 19/20”, explica o economista do Deral, Marcelo Garrido. 

O preço da saca de 60 kg ficou próximo de R$ 153 nesta semana. No mesmo período do ano passado, os produtores recebiam, em média, R$ 70 pelo produto. A ocorrência de doenças em algumas lavouras e o reajuste no preço dos insumos, com a alta do dólar, geraram aumento nos custos de produção. Por outro lado, o câmbio favoreceu as exportações. Já o índice de comercialização segue um padrão semelhante ao da safra 2019/20, de 53% neste período.

Nos próximos dias, o clima deve ser benéfico para o andamento da colheita. A produtividade teve uma pequena redução em relação ao ano passado, de 3.700 kg/hectare para 3.600 kg/hectare. Quanto à qualidade, 82% das lavouras estão em boas condições, 17% médias e 1% ruim. Para a segunda safra, o Deral estima a produção de 108 mil toneladas de soja em 38 mil hectares, concentrados principalmente no Oeste do Estado. A colheita da segunda safra deve iniciar em abril.

MILHO PRIMEIRA SAFRA – A colheita do milho da primeira safra evoluiu para 74% da área de 363 mil hectares nesta semana. Espera-se a produção de 3 milhões de toneladas, volume 14% inferior ao do ciclo 19/2020. “Essa redução segue uma tendência dos outros estados do Sul e do País como um todo. O Brasil soma um volume de 23 milhões de toneladas”, explica o técnico Edmar Gervásio. 

MILHO SEGUNDA SAFRA – O plantio da segunda safra atingiu 88% e 94% das lavouras estão em boas condições. O volume produzido deve ser de 13,4 milhões de toneladas, 12% maior do que o do ciclo 19/20. A estimativa para a área é de 2,4 milhões de hectares, um recorde para o Estado, com crescimento de 3% em relação à safra anterior.

Apenas no último mês, a área plantada teve um ajuste positivo de aproximadamente 12 mil hectares. Os preços estão satisfatórios para os produtores. A saca de 60 kg foi comercializada por R$ 78,68 nesta semana, em média. “A tendência é de que os preços continuem elevados ao longo do ano”, diz Gervásio.

FEIJÃO PRIMEIRA SAFRA – Com área de 152 mil hectares, semelhante ao do ciclo passado, o Paraná produziu 255,4 mil toneladas de feijão na primeira safra. O recuo foi de 19% em relação à safra anterior e se deve à estiagem que impactou as lavouras no ano passado e às chuvas em excesso em janeiro deste ano. A comercialização atingiu 87% nesta semana.

“As outras 32 mil toneladas que ainda estão nas mãos dos agricultores são principalmente de feijão-preto, que representou 70% da primeira safra e tem preços melhores”, explica o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador. Segundo ele, geralmente a produção de feijão preto e feijão-cores é bem equilibrada no Paraná, próximo de 50% para cada. Porém, os bons preços do feijão-preto alteraram a proporção neste ano.

FEIJÃO SEGUNDA SAFRA – Cerca de 99% da área de 251 mil hectares está plantada e espera-se bons resultados. Essa área é 12% maior que a do ano passado. A produção, estimada em 491 mil toneladas, indica um crescimento de 83% comparada com a safra anterior, que foi afetada pela estiagem. A produtividade é de quase 2.000 kg/hectare. As condições das lavouras estão 81% boas, 16% medianas e 3% ruins.

A saca de 60kg de feijão-cores é comercializada, em média, por R$ 287,95 e o feijão-preto por R$ 275,73, contra R$ 288 na semana anterior. No entanto, na comparação com as médias mensais, os preços recebidos pelo grão estão equilibrados no primeiro trimestre de 2021. O engenheiro agrônomo do Deral destaca que o aumento dos custos de produção da cultura, impulsionados principalmente pelos insumos, reduziu o lucro dos produtores. 

A saca de 60kg tinha um custo variável de produção de R$ 95 em fevereiro deste ano. Já em fevereiro de 2020, o custo era de R$ 74 - aumento de 28%. O custo total chegou a R$ 135, contra R$ 107 no ano passado, aumento de 26%. 

TRIGO – A projeção inicial do Deral para a cultura do trigo indica produção de 3,8 milhões de toneladas em condições climáticas ideais, volume 21% maior do que na safra 19/20, em uma área de 1,14 milhão de hectares, 2% superior. As áreas do Sul do estado são o destaque, com incremento de 10%, ganhando espaço especialmente sobre cultivos de aveia. No Oeste também espera-se incremento de 10%, em substituição ao milho de segunda safra.

Nas demais regiões, a melhor liquidez e rentabilidade projetadas para o milho representaram recuo de 5% nas áreas de trigo, segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho. “No próximo mês, com o avanço no plantio, essas projeções devem estar melhor definidas”, diz. A saca de 60 kg foi comercializada por R$ 80,50 na última semana, em média. 

ARROZ – No Brasil, a produção de arroz nesta safra deve atender ao consumo interno, próximo de 11 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Cerca de 70% do volume produzido concentra-se no Rio Grande do Sul. No Paraná, de acordo com o Deral, a área está estimada em 18 mil hectares para arroz irrigado e 2,6 mil hectares de arroz de sequeiro, que tem produtividade de cerca de 1.900 kg/hectare. A área é semelhante à da safra passada. 

No entanto, a produção dos dois tipos de arroz deve ser, respectivamente, 2% e 3% menor. A produção total deve ser de 148 mil toneladas. Como o volume não atende à necessidade de consumo interno, parte do produto é adquirida dos demais estados do Sul.

Cerca de 77% da produção de arroz irrigado no Paraná está no núcleo regional de Paranavaí, 13% em Umuarama e 8% em Paranaguá, segundo o economista Methodio Groxko. Tanto a colheita, que atingiu 50% da área nesta semana, e a comercialização, têm um bom andamento. Neste momento, a saca de 60 kg é comercializada por aproximadamente R$ 122.

MANDIOCA – O Paraná deve produzir 3,4 milhões de toneladas de mandioca em uma área de 146 mil hectares. Esses índices representam redução de 3% e 2% com relação à safra anterior, respectivamente. Segundo Groxko, houve ajuste de área em núcleos regionais como Umuarama e Campo Mourão.

Parte das indústrias de fécula já retomaram a produção. “Espera-se que os preços melhorem nos próximos meses”, diz o economista do Deral. A tonelada do produto foi comercializada por aproximadamente R$ 405 nesta semana. A saca de 25 kg de fécula é comercializada por R$ 65.

CEVADA – As primeiras estimativas para a produção de cevada no Paraná apontam para 303,6 mil toneladas, volume que supera em 12% o resultado da safra passada.  A área esperada é de 66 mil hectares, 3% superior à da safra 19/20. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Rogério Nogueira, neste período 33% da área da cultura já está comercializada.

CAFÉ – No Brasil, o último ano atingiu recorde na exportação de café - o País destinou 45 milhões de sacas ao mercado externo. No total, foram produzidas 50 milhões de sacas, contra 63 milhões na safra anterior. O consumo mundial em 2020 não caiu, mas cresceu abaixo do esperado. 

No Paraná, o Deral estima a produção de 52,3 mil toneladas de café, 9% a menos do que na safra passada, em uma área de 33,2 mil hectares, 4 % inferior. Atualmente, os preços cobrem os custos de produção, que são de aproximadamente R$ 564. Nesta semana, a saca de 60 kg de café é comercializada, em média, por R$ 654. No ano passado, o valor médio recebido era próximo de R$ 470 - mas os custos de produção se aproximavam dos R$ 500. 

Segundo o economista Paulo Franzini, do Deral, essa recuperação atual é extremamente necessária para os produtores, que estavam desestimulados com a cultura, o que explica a redução da área. “Cerca de 50% desse custo corresponde à mão-de-obra. Por isso, os produtores paranaenses estão buscando a mecanização”, explica. De acordo com ele, a confirmação do volume de produção depende dos índices de chuva no mês de abril, quando parte do café paranaense começa a florescer. A comercialização já chegou a 92% no Estado.

Fonte:
Sec. de Agricultura de SP

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