Censo agropecuário de 2017 indica baixas taxas de assistência técnica no campo, por Agroanalysis/FGV

Publicado em 25/07/2019 15:15 501 exibições

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Na atividade rural, um dos fatores do sucesso é o nível do conhecimento técnico empregado pelos produtores. O Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra resultados preocupantes quando se analisa essa questão. Dos estabelecimentos agropecuários brasileiros (5.071.332 unidades), apenas 19,9% receberam assistência técnica, cuja taxa apresentou profundas diferenças regionais (de 7,4% no Nordeste a 48,6% no Sul).

No caso do total de estabelecimentos com bovinocultura (2.555.333 unidades), a taxa de assistência técnica também foi considerada baixa (25,2%) e com grande variação regional (de 9,9% no Nordeste a 50,9% no Sul). Em termos de Unidades da Federação (UFs), aquelas com melhor percentual de atendimento foram o DF (82,5%) e os estados de SC (55,2%), RS (51,8%), PR (46,0%) e SP (42,1%). Quando tomamos, para comparação, o conjunto dos estabelecimentos com irrigação (505.503), a taxa nacional de assistência técnica é maior (30,1%). De um modo geral, nota-se um déficit na prestação desse serviço, que varia entre as atividades e as regiões atendidas.

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Na bovinocultura, vemos uma taxa de assistência técnica baixa, tanto nos estabelecimentos com até 50 cabeças (22,5%), quanto nos com mais de 50 cabeças (34%). Isso vale para todas as regiões brasileiras. O melhor atendimento ocorre na classe com mais de 50 cabeças da região Sul (61,1%), enquanto o pior atendimento acontece nos produtores com menos de 50 cabeças na região Nordeste (8,8%).

Em SP, cujo rebanho bovino (5,2 % do total nacional) está na oitava posição entre as UFs, o quadro também surpreende. Apesar de concentrar grande parte da agroindústria nacional e abrigar importantes universidades e centros de pesquisa agropecuária, menos da metade dos produtores recebe assistência técnica. E, entre estes, a maior parte relata seguir orientação própria. Entende-se que, se, mesmo nesse ambiente privilegiado, faltaram decisão política ou recursos humanos e financeiros para a assistência técnica rural, outros estados devem sofrer com obstáculos ainda maiores.

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Para enfrentar esse desafio na área de assistência técnica e buscar uma agri- cultura de baixo carbono (Plano ABC), temos o projeto Práticas Estratégicas para Mitigar as Emissões de Gases de Efeito Estufa nos Sistemas de Pastagens do Sudeste Brasileiro. Trata-se de uma pesquisa com envolvimento da USP, da Embrapa, do Instituto de Zootecnia, do IBGE e da Universidade da Califórnia em 2018 e financiada pela FAPESP. Um dos seus objetivos é estudar os fatores críticos para a transferência de tecnologia de modo a auxiliar a tomada de decisões dos stakeholders na cadeia produtiva da pecuária bovina.

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Para além dos objetivos específicos do Plano ABC, devemos ter em vista o aprimoramento em produtividade e qualidade da pecuária brasileira. Para tanto, é necessário que as informações sobre as modernas tecnologias disponibilizadas pela pesquisa cheguem à linha de frente, aos produtores rurais. Isso só será possível caso haja canais eficientes de comunicação para que as orientações técnicas necessárias alcancem os usuários finais.

Para acompanhar todas as informações disponibilizadas pela revista Agroanalysis, clique aqui.

Por:
Alfredo José Barreto Luiz
Fonte:
Agroanalysis/FGV

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